
A Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais presente no cotidiano, seja em aplicativos, plataformas digitais ou ferramentas utilizadas em diferentes áreas do conhecimento. No entanto, muito antes de fazer parte da vida prática das pessoas, a tecnologia já ocupava espaço no imaginário coletivo por meio da literatura, do cinema e de outras produções culturais. Com o objetivo de compreender como essas narrativas influenciam a percepção pública sobre a IA, pesquisadores do curso de Publicidade e Propaganda e do Programa de Pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens da Universidade Franciscana (UFN) desenvolvem o projeto “Imaginários sobre Inteligência Artificial: representações em filmes, educação e cultura digital”.
Com orientação de Taís Steffenello Ghisleni, Carlos Henrique da Costa Barreto e Graziela Frainer Knoll, o projeto está sendo desenvolvido através dos acadêmicos Antonio Marion Leal e Luiza Gabriela Silveira Pereira. O artigo visa analisar as representações sociais da Inteligência Artificial em obras cinematográficas e discursos midiáticos contemporâneos, relacionando essas construções simbólicas aos desafios da educação e da cultura digital.
Segundo os pesquisadores, o cinema tem papel fundamental na formação das percepções sociais sobre a tecnologia. Ao longo das décadas, produções audiovisuais apresentaram a IA sob diferentes perspectivas, alternando entre cenários otimistas, em que a tecnologia aparece como aliada da humanidade, e visões distópicas, marcadas por ameaças, controle e conflitos entre humanos e máquinas.
A pesquisa destaca a forma como a Inteligência Artificial é retratada nas produções culturais contribui para a construção de imaginários coletivos que influenciam a maneira como a sociedade compreende e utiliza essas tecnologias. “A ideia surgiu quando foi percebido o quanto a inteligência artificial passou a fazer parte do nosso dia a dia, em que ela está presente em diferentes áreas, como educação, comunicação e entretenimento. Notei que muitas pessoas associam a IA às imagens que veem em filmes e séries, como robôs ou máquinas que se voltam contra os seres humanos, isso me fez pensar sobre o quanto essas produções influenciam a forma como entendemos a tecnologia”, destacou Luiza.
A pesquisa parte da compreensão de que as representações da IA vão além do entretenimento. Elas refletem valores, medos, expectativas e debates presentes na sociedade contemporânea. Nesse contexto, o estudo dialoga com conceitos das áreas da comunicação, educação e das representações sociais para compreender como essas narrativas impactam a formação de estudantes, professores e cidadãos.
O artigo também está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da promoção de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade. Para os pesquisadores, desenvolver competências relacionadas ao letramento digital e à leitura crítica das tecnologias é uma necessidade crescente diante das rápidas transformações provocadas pela IA.
A metodologia adotada combina revisão bibliográfica e análise qualitativa de obras audiovisuais que abordam a Inteligência Artificial. Entre os filmes que compõem o corpus inicial da pesquisa estão clássicos como Metropolis (1927), Blade Runner (1982), Matrix (1999) e Her (2014), além de outras produções representativas de diferentes períodos históricos. Os pesquisadores irão classificar as narrativas em categorias como IA utópica, distópica, híbrida, filosófica e educacional. A partir da análise de conteúdo, será possível identificar padrões de representação, discursos predominantes e suas possíveis implicações para a educação e para a percepção pública sobre a tecnologia. “O estudo foca na construção de soluções para as questões apresentadas, sendo a mais prodigiosa delas a educação midiática e letramento digital, tendo em vista que se torna cada vez mais difícil discernir a veracidade dos conteúdos consumidos na internet, é importante que o usuário desenvolva senso crítico e comportamento questionador a fim de não ser enganado”, afirmou Antonio.
Além da análise cinematográfica, o projeto inclui uma etapa de pesquisa com seres humanos. Jovens maiores de 18 anos que possuem o hábito de consumir filmes relacionados à ficção científica, fantasia, ação ou outros gêneros que abordem a temática da Inteligência Artificial poderão participar de um questionário online. A proposta é compreender como o público interpreta as representações da IA presentes no cinema e de que forma essas narrativas influenciam suas percepções sobre a tecnologia. A expectativa é reunir um conjunto diversificado de participantes para ampliar a compreensão sobre os impactos desses imaginários na cultura digital contemporânea. “Espero que a pesquisa ajude a ampliar o debate sobre inteligência artificial de uma forma mais consciente e crítica, ainda mais atualmente em que utilizamos a IA para muitas tarefas do nosso dia, então entender melhor a opiniões sobre ela é fundamental. Também, acredito que os resultados podem ajudar professores e outros pesquisadores a saber como utilizar filmes e outras produções audiovisuais para ampliar essa discussão”, comentou Luiza.
Os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de estratégias de educação midiática e formação crítica em ambientes educacionais. Ao investigar como a Inteligência Artificial é apresentada nas narrativas audiovisuais, os pesquisadores esperam estimular reflexões sobre ética, tecnologia e cidadania digital, fortalecendo o papel da educação na preparação dos sujeitos para um mundo cada vez mais conectado e mediado por sistemas inteligentes. Mais do que compreender as máquinas, a pesquisa busca compreender como os seres humanos imaginam, interpretam e se relacionam com elas um debate essencial em uma época em que a Inteligência Artificial ocupa espaço crescente nas práticas sociais, culturais e educacionais. “O estudo vai ajudar na visualização dos problemas apresentados e a base para a desenvoltura de soluções, o artigo contribui para sociedade no sentido da conscientização, onde mostramos tanto a extensão do fenômeno quanto as possibilidades, nocivas ou não”, finalizou Antonio.
A pesquisa, que ficará disponível até a primeira quinzena de julho, pode ser respondida através deste link.
Texto: Gabriela de Flores Neto / Jornalista
Fotos: Divulgação
Essa é um republicação de Notícia Publicada por Assessoria de Comunicação (ASSECOM) em 26/06/2026, em: https://site.ufn.edu.br/pagina/pesquisa-investiga-como-o-cinema-influencia-a-percepcao-da-inteligencia-artificial-na-sociedade-e-na-educacao