A aluna Paula Fernandes Siqueira, concluinte do Curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Franciscana (UFN), desenvolveu um Trabalho Final de Graduação que chama atenção pela relevância social e pela profundidade da investigação. A pesquisa, intitulada “Ainda Não Estou Aqui: a invisibilidade da comunidade surda no audiovisual”, analisa como a falta de recursos de acessibilidade, especialmente legendas descritivas e tradução em Libras, impacta diretamente a experiência de pessoas surdas em produções cinematográficas nacionais .

O estudo toma como caso central o filme Ainda Estou Aqui (2024), dirigido por Walter Salles, obra que conquistou grande repercussão e público, mas que não disponibilizou ferramentas essenciais para espectadores surdos no seu lançamento, no cinema. A pesquisa evidencia que essa ausência compromete a compreensão da narrativa, limita o acesso cultural e reforça barreiras históricas ainda presentes no audiovisual brasileiro. Paula investigou relatos de espectadores, analisou publicações em redes sociais e aplicou questionários à comunidade surda de Santa Maria/RS, apontando frustrações recorrentes, como a necessidade de recorrer ao streaming por falta de acessibilidade nas salas de cinema .


Os resultados reforçam que a inclusão comunicacional não é um diferencial, mas um direito. A pesquisa destaca iniciativas importantes, como a campanha “Legendas para quem não ouve, mas se emociona” e as normativas da Ancine voltadas à acessibilidade, mas demonstra que ainda há um caminho significativo a ser percorrido para garantir a participação plena da comunidade surda na cultura audiovisual .
O trabalho, orientado pela Prof.ª Dra. Taís Steffenello Ghisleni, valoriza a perspectiva comunicacional ao lembrar que compreender o público, suas práticas, necessidades e modos de significar o mundo, é parte central da formação em Comunicação. A pesquisa convida futuros profissionais da área a adotarem uma postura ética e inclusiva, e reforça a importância de pensar o audiovisual de modo mais democrático, permitindo que todas as pessoas possam se reconhecer, se emocionar e participar das experiências culturais que moldam o imaginário coletivo. Trata-se de uma contribuição significativa para o campo da comunicação e para o debate sobre inclusão no Brasil.
